ECONOMIA — DÓLAR SUPERA R$ 5,40 E CONTAS PÚBLICAS ACENDEM ALERTA
O mercado financeiro brasileiro encerra outubro sob pressão.
Nesta sexta-feira, o dólar abriu em alta e chegou a R$ 5,41, mantendo a trajetória de valorização observada depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A moeda americana acumula valorização superior a 4% em outubro, praticamente anulando as perdas registradas durante parte de 2026.
Mas existe outro problema preocupando economistas: a situação das contas públicas brasileiras.
Um levantamento divulgado nesta sexta-feira mostra que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro.
À primeira vista, parece uma boa notícia. Entretanto, quando os números são analisados com mais profundidade, aparece um cenário preocupante.
Segundo o levantamento publicado pelo UOL, o resultado positivo foi sustentado por receitas extraordinárias, cancelamento de precatórios e adiamento de despesas.
Sem esses fatores, as contas teriam apresentado resultado negativo.
De janeiro a setembro, o déficit primário acumulado chegou a R$ 90,1 bilhões.
A dívida bruta brasileira alcançou 82,9% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 11,1 trilhões.
Economistas alertam que, sem medidas consistentes de controle das despesas, a dívida poderá continuar crescendo e comprometer a capacidade de investimento do país.
O problema é que o orçamento federal possui uma parcela muito elevada de despesas obrigatórias, reduzindo o espaço disponível para investimentos e ajustes.
Enquanto isso, quem sente os efeitos da instabilidade econômica é o cidadão comum.
O dólar influencia os preços de combustíveis, produtos importados, equipamentos eletrônicos e diversos insumos utilizados pela indústria brasileira.
Existe também uma notícia positiva no mercado de trabalho: o desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre, segundo o IBGE, a menor taxa da série histórica para esse período.
O grande desafio será transformar os indicadores positivos de emprego em crescimento sustentável, sem deixar que o endividamento público saia do controle.
O debate que fica: o Brasil precisa discutir seriamente como equilibrar suas contas. Não basta arrecadar mais; é necessário controlar despesas e garantir que o dinheiro público seja utilizado com responsabilidade.
