Congresso dos EUA pede ação de Trump contra Brasil por projeto de big techs
Postado 24/07/2026 10H27
Republicanos cobram ação da Casa Branca contra proposta do governo brasileiro que regula mercados
digitais e amplia poderes do Cade contra práticas anticoncorrenciais de gigantes da tecnologia
Um grupo de 20 congressistas republicanos enviou carta ao chefe do USTR (Escritório do Representante
Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, pedindo ação contra o Brasil pelo avanço do projeto de lei
que regula mercados digitais e amplia poderes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)
contra práticas anticoncorrenciais das big techs.
O ofício, encaminhado nesta quinta-feira (23), é encabeçado pelos congressistas Adrian Smith (Nebraska)
e Jim Jordan (Ohio). Outros 18 parlamentares do Partido Republicano decidiram firmar a reclamação.
Eles argumentam que a proposta brasileira, enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao
Congresso Nacional, replica os termos de legislação europeia sobre o assunto e "oneram plataformas
digitais americanas bem-sucedidas com um novo regime regulatório".
O PL 4675 ainda não tem data para ser votado, mas o deputado Aliel Machado (PV-PR) já apresentou seu
relatório e fez um apelo aos colegas por sua aprovação, em reunião de líderes neste mês.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu segurar a votação em plenário diante
da resistência de vários partidos. Partidos de direita e do Centrão alegam que o projeto abre brechas para regulação de conteúdo.
Na carta ao USTR, Smith e Jordan fazem menção à investigação pela Seção 301 que culminou em tarifas
de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais que afetam a
competitividade de empresas americanas, mas vão além.
"É particularmente preocupante que, justamente no momento em que as ações relacionadas a essa
investigação estão sendo finalizadas, o Brasil busque expandir suas políticas discriminatórias
em vez de consultar os Estados Unidos para resolver essas preocupações", afirmam.
"Caso essa medida avance, ela agravará as barreiras existentes para as empresas digitais dos
EUA que operam no Brasil e dará continuidade a uma tendência preocupante de proliferação de medidas
semelhantes à DMA (Digital Markets Act), que são abertamente discriminatórias e entram em conflito
direto com os interesses norte-americanos", acrescentam.
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