Rússia intensifica ataques aéreos enquanto enfrenta dificuldades por terra

Especialistas afirmam que essa abordagem de "sobrecarga" permite que mais mísseis atinjam o alvo.
Ataques na terça-feira (2) incluíram oito mísseis hipersônicos "Zircon" de alta velocidade – 
praticamente impossíveis de abater e poderosos o suficiente para destruir porta-aviões – o maior número 
já usado em uma única ofensiva, segundo as autoridades ucranianas.
Nenhum desses oito mísseis hipersônicos foi interceptado. O bombardeio deixou 23 mortos e 151 feridos 
em todo o país, informaram as autoridades ucranianas.
Um fator crucial para o aumento da frequência e da intensidade dos ataques aéreos é que “a Rússia 
está realmente com dificuldades para obter ganhos significativos no campo de batalha”, disse 
Thomas Withington, pesquisador associado de ciências militares do think tank britânico Rusi (Royal United Services Institute).
Em abril, a Ucrânia, inclusive, retomou mais território do que a Rússia havia conquistado, pela primeira vez desde 2024.
“Isso significa que, se você é a Rússia… seu mecanismo para exercer pressão militar sobre a 
Ucrânia está diminuído”, avaliou Withington à CNN.
“Acho que, dada a situação atual, o uso do poder aéreo é possivelmente a única via disponível 
para a liderança russa que espera ter algum tipo de efeito estratégico sobre a Ucrânia", adicionou.
No início deste ano, a Rússia lançava cerca de 5 mil drones de ataque Shahed por mês. Esse número
 aumentou para mais de 8 mil no mês passado, de acordo com uma análise do CSIS (Centro de Estudos 
Estratégicos e Internacionais), um think tank com sede em Washington, D.C.
Embora alguns desses drones consigam atingir alvos, resultando em vítimas civis e danos a casas e 
infraestrutura, analistas do RUSI e do CSIS afirmam que as defesas aéreas da Ucrânia estão se saindo 
notavelmente bem, considerando a magnitude dos ataques russos.
A Ucrânia manteve taxas de interceptação de drones praticamente iguais às de antes da recente escalada,
 abatendo cerca de 90% deles a cada mês e usando guerra eletrônica para desviar algumas munições de áreas povoadas.
Mas o país está tendo mais dificuldades para interceptar mísseis balísticos e os hipersônicos "Zircon", 
que se movem a velocidades incrivelmente altas e exigem interceptores mais avançados para serem derrubados.
Os ataques de terça-feira na Ucrânia incluíram 41 mísseis balísticos – mais do que o número lançado pela
 Rússia durante todo o mês passado. Trinta deles atingiram alvos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou à CBS News que recebe apenas cerca de 60 a 65 mísseis 
interceptores por mês, devido a limitações de produção.
"Não há mísseis suficientes para o sistema Patriot; muitos foram usados ​​no Oriente Médio", afirmou
 o porta-voz da Força Aérea Ucraniana, Yurii Ihnat, à CNN na terça-feira, após o intenso bombardeio noturno.
"Outro fator é como o inimigo utiliza seus mísseis – ou seja, eles usam mísseis balísticos especificamente 
contra regiões menos protegidas contra esse tipo de ataque", adicionou.
Especialistas destacaram que, dados os recursos limitados de defesa, a capital, Kiev – um alvo estratégico 
principal e sede do governo – deveria ser mais bem defendida do que outras regiões e áreas menos populosas.
Ainda assim, as munições russas que conseguiram atingir Kiev na terça-feira danificaram vários edifícios 
residenciais e comerciais de vários andares, provocando incêndios e carros em chamas nas ruas.
Algumas instalações militares também foram atingidas, segundo o Ministério da Defesa russo.
As defesas aéreas da cidade pareceram menos ativas durante a última onda de ataques russos na manhã de 
terça-feira. Os produtores da CNN ouviram explosões contínuas, mas não o som de disparos dos sistemas de defesa.
Em outras partes da Ucrânia, a ofensiva causou inúmeras vítimas na cidade de Dnipro e atingiu 
instalações de energia na região de Kharkiv, segundo as autoridades.
Pelo menos um dos ataques foi um chamado "duplo disparo", matando um bombeiro em Dnipro enquanto ele respondia a uma ocorrência.

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